domingo, 25 de setembro de 2011

LIVRO: O homem do Céu

Tenho lido um livro que a cada palavra, cada frase me constrange.... me enche força e vigor ao mesmo tempo.... Mais meu coração é rasgado com as palavras desse homem que não abriu mão da sua fé por causa de nada.... não abriu a sua boca para negar Jesus no vale da sombra da morte literalmente.... e eu abro mão literalmente do Senhor em tantas situações... nego o Senhor em minhas atitudes e caráter.....


Por isso vou deixar um capítulo inteiro pra você ler...onde ele relata um pouco do que ele passou na prisão na china por declarar Jesus.... e nesse capítulo conta quando sua mãe, esposa e família foi visitá-lo na prisão.... E antes de ler esse capítulo (agora a pouco) estava mto triste pq o teclado digital do microondas não funcionou e talvez ele vai para o lixo e aí vem prejuízo pra frente.... Mais enquanto lia esse capítulo veio algo no meu coração... vc preocupado com seu microondas e nesse exato momento tem gente morrendo por causa do meu nome..... nosssssssssssssssssssssssssssss...... Obrigado Deus por abrir meus olhos egoísta.... to nem ai pra esse lixo.....  


Leiam..... vale a pena....


O segundo semestre de 1983 e o primeiro de 1984 foi um tempo de intensa perseguição em Henan. Nossa igreja enfrentou sérias dificuldades nesse período. E centenas de obreiros foram presos.

Agradeço a Deus por minha mãe, que orava sem cessar. Intercedia toda manhã e toda noite pela igreja e pela liderança. Junto com outros crentes, clamava pela misericórdia do Senhor e pedia o avivamento, pois os pastores haviam sido feridos e as ovelhas estavam dispersas.

Na noite de 1º de abril de 1984, ajoelhada em oração, minha mãe teve uma visão. Foi algo que lhe causou grande impacto, porque na época ela era a parteira da nossa vila.

Ela viu uma jovem tendo um bebê em um parto difícil. A criança nasceu prematura, aos sete meses, por causa de desnutrição. Era um menino muito pequeno. A família da jovem e a parteira disseram:
- Este bebê não vai sobreviver.
Assim, colocaram-no em um saco para jogá-lo fora. Minha mãe se adiantou e falou:
- Gostaria de dar uma olhada dentro do saco. Virou-se para a jovem e lhe garantiu:
- Seu bebê não vai morrer.
Acabou de falar e viu que o bebê era eu. Levou um susto e acordou. Foi tomada de emoção e gritou em voz alta:
- Deus Pai, tem misericórdia do meu filho! Então uma voz muito clara falou com ela:
- Seu filho não vai morrer.
Desde o dia em que fui preso, muitos amigos e familiares oraram por mim. Mas não se contentavam com isso e tentavam conseguir informações sobre meu estado com o DSP. Ninguém teve permissão para me visitar.

Disseram a eles que eu não tinha a menor chance de sobreviver. Uns achavam que eu seria condenado à morte, outros pensavam em prisão perpétua. Essas notícias chegaram aos ouvidos da minha esposa e da minha mãe.
A cunhada de Deling lhe disse:
"Volte para a casa da sua mãe e se case com outro homem o mais rápido possível.
Yun não tem nenhuma chance de voltar para casa."
Felizmente, porém, o Senhor ajudou minha amada esposa a resistir a essas tentações. Ela permaneceu firme e fiel em seu compromisso com Deus.

Minha esposa também teve um sonho na noite em que minha mãe recebeu a promessa de que eu não iria morrer.
No sonho, ela e minha mãe me visitavam na prisão. Eu estava magérrimo, mas forte na graça de Deus, cheio de alegria e paz. Entreguei a ela uma chave e disse com firmeza: "Esta chave abre todas as portas!" Ao acordar, Deling entendeu imediatamente que o Senhor Jesus queria que ela usasse a oração como chave para abrir todas as portas que a levariam à solução dos problemas.

De manhã, as duas compartilharam a visão e o sonho. Sentiram-se imensamente fortalecidas na fé. Ajoelharam-se e agradeceram juntas a Deus. Além disso, compartilharam com outros crentes.
Nessa época, apenas um líder - o Irmão Fong - estava fora da cadeia. Ele foi até minha casa e orou a noite toda, clamando a Deus por misericórdia e avivamento. No dia seguinte, falou à minha família:
"Está na hora de visitarmos Yun na cadeia."
Na China, só quem recebe convite oficial das autoridades penitenciárias pode visitar os presos.
Exatamente no dia seguinte, minha esposa recebeu um convite. Ninguém se surpreendeu, porque o Senhor já havia mandado o verdadeiro convite!

Fazia mais de 70 dias que eu não comia nem bebia. Não havia recebido nem uma única palavra da minha família ou da minha igreja.
Mesmo com a doença na pele, meus companheiros de cela continuaram a me torturar. Quase acreditei nas previsões deles sobre minha morte. A escuridão e o tormento me pressionavam. Eu sentia que um anjo do Senhor me cercava com sua força e me impedia de morrer.

No 75º dia do meu jejum, por volta das 3:00h da madrugada, uma luz brilhante inundou minha cela. Em uma visão, eu andava de bicicleta por uma estrada, carregando no guidão um menino bonito de sete anos, chamado Xiao Shen. Eu conhecia aquele garoto. Os pais dele amam Jesus.
Na visão, Xiao me disse:
"Tio, posso cantar uma música para você?"
E cantou:
"Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." (Jo 14.6.)
Cantei com ele, cada vez mais alto. Estava cheio de alegria! Sentia-me livre como um pássaro!
Vi meu corpo ainda deitado na cela, mas enxerguei através dos muros da prisão o mundo exterior. Vi pessoas diferentes, de diversas raças. Elas vinham de numerosas nacionalidades e variadas culturas. Umas se ajoelhavam e outras permaneciam em pé.

Todas levantavam as mãos em oração. Tentei sair para me reunir a elas, mas, de repente, escorpiões, vespas, cobras e criaturas horríveis voltaram a me atacar.
Fui jogado no chão. Abri os olhos bem devagar e descobri que estava aninhado nos braços da minha mãe. Ela me segurava com força. Minha esposa, minhas irmãs e meus irmãos agarravam minhas mãos e choravam em voz alta. Eu disse a eles:
"Jesus é o caminho, a verdade e a vida."
Então despertei da visão.
Durante o longo jejum, meus dias eram repletos de lutas, milagres, sonhos, visões e revelações do Senhor. Senti a força dele a cada dia. Embora não tivesse uma Bíblia, meditava constantemente na Palavra, nos versículos que havia decorado.

Os homens tentaram me destruir de todas as formas, mas não conseguiram. E tentaram mais uma vez. Convidaram minha família para ir até a prisão para me convencer a comer e a falar. Pretendiam ouvir com atenção tudo que eu dissesse, na esperança de obter uma confissão ou informações que pudessem ser usadas contra mim.

No dia 6 de abril de 1984, o DSP enviou funcionários à minha casa para instruir minha mãe e minha esposa sobre o que deveriam dizer para me convencer a comer e a falar. Mas Deus já havia alertado as duas: "Se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores", (Mt 7.15).

Às 8:00h da manhã seguinte, minha mãe, minha esposa e mais seis parentes e companheiros de trabalho chegaram ao portão da prisão de Nanyang. O porteiro mandou esperarem enquanto os guardas ordenavam ao Irmão Yu que me carregasse mais uma vez até a sala de interrogatório. Tentaram me enganar de novo:
"Yun, você está diante de outra excelente oportunidade. Se abrir a boca e falar, tudo será resolvido de uma vez por todas."

Recusei-me a responder, e eles me chicotearam como loucos e me deram choques com o cassetete elétrico. Perdi a consciência.
Quando voltei a mim, senti um calor percorrendo meu corpo, como se estivesse deitado em uma cama macia. Não sabia se estava vivo ou morto, acordado ou dormindo.
Senti o calor em meu rosto, parecia que alguém me acariciava com delicadeza e amor.
Pensei que era uma visão, mas, ao abrir os olhos, vi que estava nos braços da minha mãe. As lágrimas quentes dela me despertaram, e seus braços amorosos me consolaram. Percebi que ela estava sofrendo muito, como se tivesse uma faca enfiada no coração.

Deling estava ao lado dela. Não acreditava no que via. Falou com minha irmã:
"Estou dizendo que não é ele. Não é o meu marido!"
Eu não passava de um saco de pele e ossos. Grande parte do cabelo caíra por causa dos golpes e chutes. As orelhas estavam murchas. Tinha a barba desgrenhada e o cabelo era uma massa pastosa. Os tufos que ainda permaneciam na cabeça achavam-se grudados por causa do sangue seco. Toda minha aparência mudara devido à terapia de choques elétricos.
Minha própria esposa não me reconhecia!
Tenho uma marca de nascença, e foi assim que minha mãe me identificou. Ela chorou bem alto e gritou:
"É meu filho! Senhor, tenha misericórdia de nós!"

Minha esposa quase desmaiou quando entendeu que a figura humana diminuta na frente dela era mesmo seu marido.
Subitamente, o Senhor me conferiu força. Um grande poder desceu sobre mim. E difícil explicar, mas parecia que meu espírito havia se tornado um com meu Pai celestial. O Senhor me ordenou:
"Fale! Chegou a hora!"
Abri a boca para falar, mas minha irmã tapou-a com a mão, para me impedir.
Sabia que os guardas estavam ouvindo. Sabia que fazia mais de 70 dias que eu não ingeria alimento nem água e temia que eu fosse mais torturado ainda se falasse.
Empurrei a mão dela e gritei:
"Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação." (Sl 146.3.) "Melhor é buscar refúgio no Senhor do que confiar em príncipes." (Sl 118.9.)
Quase que ao mesmo tempo, agarrei as mãos do Irmão Fong, fixei os olhos nele, e lhe disse:
"Irmão, riqueza nem honra podem nos corromper. Ameaças e violência não podem nos afetar. Pobreza e obscuridade não podem nos afastar do nosso caminho. Seja forte em Deus e olhe apenas para o Senhor Jesus Cristo. Meu Pai celestial já havia me dito que vocês viriam me visitar hoje."
Os oficiais da prisão não entenderam o que estava acontecendo, nem o que eu estava falando. Meus visitantes choravam e gemiam. Tentei falar de novo, mas minha irmã voltou a tapar minha boca. Senti um grande fogo preso em meus ossos, querendo sair.
Segurei a mão da minha mãe e lhe disse:
- Mãe, seu filho está com fome! Mãe, seu filho está com sede! Mãe, o outono acabou, e o inverno chegou. Por que você não mandou roupas para mim?
Ela enxugou minhas lágrimas e falou:
- Filho querido, não é porque sua mãe não o ama. Mandamos muitas roupas e muito alimento, mas nada chegou até você. Pedimos a outras pessoas para enviarem roupas e comida, mas os guardas ficaram com tudo.

Ninguém entendia que eu não estava me referindo a sensações físicas. Uma das companheiras ouviu que eu estava com fome e sede e saiu correndo da prisão para comprar algum alimento na loja mais próxima. Eu não conseguia parar de chorar.
Tornei a falar:
- Mãe, não estou com fome de pão e água. Sinto fome de almas de homens. Mãe, pregue o evangelho e salve as pessoas, esse é o único alimento que satisfaz.
Em seguida, gritei:
- "A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa." (Jo 4.34,35.)
Com lágrimas nos olhos, eu disse:
- Estou em jejum há 74 dias. Hoje, antes do amanhecer, o Senhor me mostrou em visão que eu iria me encontrar com vocês. Mãe querida, bateram tanto em mim que eu quase morri. Se eu morrer, morri, mas continuarei fiel ao Senhor. Mãe, você trouxe o corpo e o sangue do Cordeiro? A irmã voltou da loja com biscoitos e uma garrafa de suco de uva. Peguei um biscoito, quebrei-o, abençoei-o e entreguei à minha esposa, à minha mãe, ao Irmão Fong e aos outros parentes e amigos. De coração partido, falei:
- Este é o corpo do Senhor, quebrado por vocês. Comam e bebam em memória dele.
Então, servi um pouco de suco de uva:
- Este é o cálice do sangue do Senhor, que foi derramado por nós.
Curvamos a cabeça e, com solenidade, recebemos a Santa Ceia.
Em 74 dias, foi a primeira vez que comi e bebi. De 25 de janeiro a 7 de abril de 1984, sobrevivi sem comida nem bebida.
Chorei em voz alta e abracei meus amados. Disse:
- Mãe, hoje pode ser a última vez que tomo a Santa Ceia com a senhora.
Virei-me e beijei minha esposa. Dirigi-me a todo o grupo:
- Minhas amadas esposa e mãe, queridos irmãos e irmãs, verei vocês no céu.
Todos caíram em pranto.
Minha irmã mais velha me abraçou e perguntou:
- Como você pode abandonar sua mãe e sua jovem esposa, e morrer para seu próprio bem? Além disso, sua mulher está grávida. Como você pode ser tão cruel com ela?
Minha mãe argumentou:
- Filho, sua esposa precisa de você. E eu, também. A família de Deus precisa de você.
Abaixou a voz e cochichou em meu ouvido:
- Ouça sua mãe. Deus me revelou que você não vai morrer. Precisa se fortalecer e permanecer vivo.
Sob a proteção do Senhor, acabamos de compartilhar uns com os outros. As autoridades da prisão pareciam intrigadas e confusas. Ouviam as palavras, mas não entendiam o que estava acontecendo.
Falei à minha família:
- Por favor, jejuem e orem por mim. Jamais serei um Judas. Nunca neguei o Senhor nem o povo dele.
Então os oficiais voltaram ao normal, como se acordassem de um sonho. Bateram com o punho cerrado na mesa e gritaram:
- Sobre o que vocês estão conversando? Chega! Saiam todos!
Mandaram os guardas me levarem de volta à cela. Minha mãe, minha esposa e minha irmã me agarraram e não queriam me soltar. Mas os guardas me arrastaram e me levaram embora.
Minha mãe preferiria morrer a me deixar nas mãos daqueles homens perversos, mas eles me arrancaram dela como um bando de lobos ataca uma ovelha indefesa. Mesmo na frente da minha família, bateram em mim, me puxaram, empurraram minha mãe idosa, e ela caiu. Todos choraram amargamente, sem saber se voltariam a me ver.

Com um estalo metálico, bateram o portão da cadeia. Mesmo através do portão eu ouvi os gritos da minha mãe:
- Filho, não esqueça o que sua mãe falou. Você tem de continuar vivo! Viva para Deus!
Gritei, em resposta:
- Mãe, pregue o evangelho! Peça às igrejas para orarem e jejuarem por mim!
O guarda me esbofeteou e me levou de volta para a cela.

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